Seis amigos embatem com mafiosos em uma arriscada missão de resgate. E uma nova rainha surge para dominar todos eles.
CAMINHO PARA A REDENÇÃO
Mesmo com a amizade abalada por mentiras e traições, Ethan e James precisam se unir em uma missão de resgate. Numa caçada frenética, os companheiros adentram nos domínios da  Máfia Siciliana para confrontar um inimigo movido por ganância e vingança pessoal. Neste embate, ele contam com o auxílio de uma poderosa aliada: uma mulher do passado de Ethan que irá colocar em cheque seus valores e selar de vez seu destino. 
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Os seis companheiros se distraíram por alguns segundos, observando a travessia frenética de passageiros no saguão da estação Napoli Centrale. James e Ethan se entreolharam. — Vamos caminhar pelo centro histórico e procurar um hotel adequado. O que acha? — disse James.

       — Concordo. Vamos lá.

       O grupo atravessou a porta principal e foi recepcionado por um vapor quente e seco, amplificado pela aglomeração urbana de veículos de todos os tipos e das hordas de transeuntes que cruzavam a calçada à frente deles. Conrad bufou e dobrou as mangas de sua camisa, enquanto seus amigos procuravam uma maneira de atravessar em segurança em meio ao caos.

      Caminharam com as mochilas nas costas, adentrando nas vias históricas da metrópole pulsante, que atraía os olhares de cada um deles para os seus contrastes: as grandes piazzas, circundadas por suntuosos edifícios seculares, coexistindo harmonicamente com as ruelas estreitas e os prédios residenciais de paredes descascadas e ornados com degradantes pichações. Elliot ficou para trás, observando boquiaberto as varandas repletas de roupas estendidas para secar. Conrad parou para esperá-lo.

       — La nostra bella e pittoresca Italia — disse Conrad.

       — O que você disse?

       — A nossa bela e pitoresca Italia.

       — De fato. Tudo aqui é muito singular.

       — Venham, pessoal, aqui é fácil nos perdermos uns dos outros. Vamos ficar juntos — disse James.

      Seguiram por um ruela, Ethan e James à frente, logo após, vinham Aaron e Robert e, por fim, Elliot e Conrad. Ethan se voltou para James e cabeceou em direção a uma hospedaria. — Esta está boa, não, Jim?

       — Perfeita. Ele nunca iria supor que você ficaria em um pulgueiro.

      Os lábios de Ethan se curvaram em um movimento ascendente. — Não. Ele vai me procurar nos hotéis 5 estrelas.

    Os homens entraram no prédio de fachada degastada e os olhares examinaram o interior, que se mostrou em ótimo estado de conservação. Um velhinho de rosto ossudo e barba rala, acomodado junto ao balcão de madeira maciça, os escrutinavam por trás das lentes de seus óculos.

       — Buonna sera. O senhor tem quartos para o nosso grupo? — disse Ethan.

       — Estamos bem cheios. Tenho quartos duplos para vocês dividirem.

       — Tudo bem. Vou pagar duas diárias para os três quartos agora.

     O velho assentiu e começou a separar as chaves e a prestar as orientações padrão. Ethan pagou as diárias em dinheiro e o senhor depositou no balcão três chaveiros vermelho vibrante.

      — Vocês podem ir subindo e distribuam os quartos da maneira que acharem melhor. — Ethan voltou-se para o idoso. — Com licença, o senhor por acaso conhece a família Esposito, comerciantes de bebidas? O filho mais velho se chama Gianni.

       — Hmm, si, si. Eles morreram, há uns dois anos, mais ou menos.

Ethan franziu o cenho. — Como disse, senhor? Será que estamos falando das mesmas pessoas?

      — Gianni Esposito e seu pai, conhecido com Primo Padre, eu falo desses. Os dois foram assassinados com tiros no peito.

       — Somente os dois foram assassinados?

       — Sim, somente os dois. Uma emboscada, bem perto daqui. Coisa muito pavorosa.

       — A esposa e a filha?

       — Vivas.

    Ethan, que tinha um cotovelo apoiado no balcão, apoiou o queixo em sua mão e tocou os lábios entreabertos. — Oh Cara... eu não esperava por isto. E o que o senhor me diz...

       Aaron interrompeu Ethan. — Sua mãe está na linha, deseja falar com você agora.

     — Oh. — Ethan pegou o celular que Aaron lhe estendia e voltou-se para o homem na recepção. — Voltamos a conversar daqui a pouco, senhor.

       — Va benne.

       — Aaron, Gianni e o Dom Esposito morreram assassinados dois anos atrás, você sabia disso?

       — Se eu soubesse, teria lhe falado.

     — Claro que sim. Se eu soubesse que você tinha conhecimento disso e não me contou, mataria você agora. — Ele se voltou para o celular em suas mãos — Mamãe? Oi, mamãe, tudo bem? Hm, sim, eu estou na Itália, querida, bem perto de você. Mas estou resolvendo uns negócios e irei retornar em breve para te dar um abraço de urso, muito apertado. Mm-hmm. A Caroline está cuidando direitinho de você? Mamãe... Mãe? Hm, oi Carol. Ela ficou ausente? Sim, sim, entendi... Carol, acabei de saber que Dom Esposito e o Gianni morreram dois anos atrás, você acredita nisso? Sim, é uma notícia inesperada, de fato. Certo... Acabamos de fazer check in em um hotelzinho uma estrela. Discreto, extremamente discreto. Okay, minha querida. Nos falamos quando eu tiver algum update. Se cuidem, amo vocês. — Ele desligou o telefone, voltou-se para Aaron e o abraçou.

       — Lembra quando você me perguntou se eu estava preparado para Napoli?

       — Sim.

      — Mesmo que eu estivesse, sinto que o mundo deu um giro de 360 graus ao redor de mim, em modo terremoto.

       — Não fique muito confiante para não se decepcionar.

      O rosto de Ethan se iluminou e os cantos dos seus olhos se enrugaram junto com o sorriso. — É agora ou nunca, meu irmão. — Ele arfou — Vamos lá em cima chamar os outros. Precisamos jantar e iniciar a busca.

     Ao anoitecer, a vibração da cidade se intensificou e as vias de pedra de lava vesuviana se revelaram pouco transitáveis, abarrotadas por turistas encalorados, buscando por gelattos e bebidas para aplacar os efeitos do verão mediterrâneo. Na Piazza Giuseppe Garibaldi, os seis amigos tomaram o metrô e dividiram espaço no trem da linha L2 com grupos heterogêneos, de jovens entusiasmados e falantes a casais de idosos e pais com carrinhos de bebê. Imprensados e de pé dentro do vagão barulhento, eles perfizeram o trajeto em direção à região boêmia do bairro Chiaia.  

      — O horário de pico de Nova York não é nada perto disso aqui — disse Elliot, limpando o suor de sua testa.

      — Você diz isso sem ainda ter conhecido a noite trepidante de Napoli — disse Ethan — Chiaia é um dos centros de vida noturna mais interessante da cidade, e a qualidade da culinária local é notória. Asseguro-lhes de que terão uma das melhores refeições de suas vidas.

    O aspecto das massas e dos peixes frescos servidos nas mesas externas de um dos restaurantes selou a escolha do local para o jantar. O vinho e a suculência das pastas e dos frutos do mar dissiparam a tensão dos últimos dias. Quando todos os talheres descansaram nos pratos, Ethan propôs: — Sugiro que nos dividamos em três duplas para otimizar o trabalho. Vocês devem entrar nos bares e perguntar ao barmen por Mamba Nero.

       — Iremos procurar por uma pessoa que tem nome de cobra? — Conrad franziu o cenho.

      — Sim. Provavelmente, não teremos sucesso imediato em nossa busca, mas a ideia é deixar um recado. Nos encontraremos novamente na entrada da estação de metrô, em três horas. Vamos, não percamos mais tempo.

     As duplas tomaram caminhos diferentes, adentrando as ruelas e se dispersando entre os clientes das lojas de grifes e dos bares e restaurantes elegantes. Ethan e James iniciaram sua tarefa pelo maior bar das redondezas, e abriram caminho entre os jovens que se acotovelavam no balcão. Um careca tatuado, e de expressão pouco amistosa, servia doses para os clientes. 

       — Sto cercando Mamba Nero. 

       O careca fez uma contração sutil no rosto e o ajudante que preparava bebidas ao seu lado interrompeu o serviço para inspecionar Ethan com um olhar curioso.

       — E chi sta cercando, ha un nome?

       — Ethan Tolbert.

       O homem balançou a cabeça em negativa. — No. Non conosco nessun Mamba Nero.

       O olhar de Ethan correu do primeiro para o segundo homem. — Va bene, grazie.

       — Conforme esperado — disse James ao saírem.

       — Sim, vamos continuar espalhando iscas pelas redondezas.

    Os amigos entraram e saíram de incontáveis bares, observando reações similares e recebendo as mesmas negativas. Se encontraram com Conrad e Elliot em uma ruela.

       — Nada de concreto — disse Conrad.

     — Vamos conseguir — Ethan exibia uma expressão confiante — Garanto a vocês que o recado já foi dado.

     Caminharam juntos, dando o trabalho por encerrado. As ruas haviam se esvaziado e alguns poucos bares permaneciam com as mesas ocupadas. Em uma bifurcação de ruas, movimentos estranhos trouxeram apreensão, com a aproximação de um grupo de seis homens, que se postaram ostensivamente à frente deles. Ethan moveu a cabeça por cima do ombro e verificou que outros três homens se posicionaram imediatamente atrás deles, fechando a saída da rua.

       — Quem procura por Mamba Nero? — disse o italiano que se colocara à frente dos demais.

       — Eu. Ethan Tolbert.

     Uma mulher surgiu na esquina, caminhando a passos relaxados, com seus quadris se movendo a um compasso calmo, mas não despretensioso o suficiente para esquivar os olhares masculinos sobre suas curvas, moldadas pelo macacão preto que vestia. Ela passou por entre os homens e aproximou-se de Ethan. Ele apertou os lábios, em um sorriso cerrado, e deteve-se nos espirituosos olhos cor de âmbar, que se fixavam aos dele de modo intenso e alheio ao que estava ao redor.

       — Olá, Ethan. — Ela o enlaçou pelo pescoço e se uniu a ele em um beijo longo e ardente. Os dedos dele deslizaram pelas costas esguias e se entrelaçaram aos longos cabelos negros.

    — Ei. — Ethan sorriu quando seus lábios se separaram. Ele a beijou novamente; um beijo leve e amoroso. — Preciso de você.

       — Eu sei. — Ela se desvencilhou dele — Você tem um grupo bastante interessante aqui.

       — Este é o Jim. Acho que vocês já se conhecem.

      — Estivemos juntos uma única vez, na qual ele me ajudou muito, e espero agora poder retribuir. Olá, James.

       — Olá, Alessia.

       — Estes são Conrad e Elliot — disse Ethan.

       — Você é o famoso padre dinamarquês? — Ela estendeu a mão para ele.

       — O famoso fica por conta da sua gentileza. — Conrad beijou a mão dela. — Piacere di conoscerla.

       — Il piacere è mio. E você, Elliot, suponho que não seja padre.

       — Não. Não tenho esta vocação.

      — Somente uns poucos têm essa vocação, tão bela. Outros, insistem em ser padres, mesmo não tendo aptidão alguma para a jornada. — Ela evitou o olhar de Ethan e destinou aos outros um sorriso cativante, típico das italianas que dominam a arte de seduzir as multidões, antes de conquistá-las.

Ethan puxou-a de volta para si e a enlaçou pela cintura. Ela ignorou o olhar presunçoso dele e se dirigiu aos outros três. — Vocês todos são meus convidados e ficarão hospedados na minha Villa. Meus homens já pegaram as suas malas no hotel.

       — Precisamos encontrar Aaron — disse Ethan.

      — Aaron e Robert estão aguardando no meu carro. — Alessia lançou um olhar de soslaio para Ethan, que a admirava com um sorriso peculiar. — O quê?

       — Você sempre me encanta com a sua competência.

       Ela devolveu-lhe o sorriso. — Andiamo.

      De mãos dadas, ao lado de James e do homem que parecia ser chefe do time de segurança, ela e Ethan dobraram a primeira esquina. Conrad e Elliot seguiram poucos metros atrás, misturados ao restante dos homens do grupo de Alessia.

       — O Ethan nunca deixa de me surpreender — sussurrou Conrad.

       — De fato, é um homem de muitas conexões.

       — Aquilo no ombro dela, é uma tatuagem de cobra?

       Elliot arregalou os olhos e respondeu em tom jocoso. — A Mamba Nero.